Pluralidade de opiniões

15/03/2011 - 20h26

Discussão de suplência e posse mostra pluralidade de opiniões

[Foto:]

"O fim da suplência significaria correr o risco de ver no Senado um estado, por determinado período, sem representação". Ao se manifestar contra a extinção da figura do suplente de senador, Aécio Neves (PSDB-MG) expressou seu apoio à proposta defendida na Comissão de Reforma Política pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Ao final da reunião, esse foi o texto aprovado. Caso seja aprovado em definitivo pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, as alterações só entram em vigor a partir de 2014, ou seja: as regras das últimas eleições vigorarão até o final dos atuais mandatos.

Sob a presidência do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), a comissão aprovou a redução do número de suplentes para um. Também definiu que o suplente não poderá ser cônjuge ou parente consanguíneo ou afim, até segundo grau ou por afinidade, do titular. Ele somente assumirá nos casos de substituição e permanecerá no cargo até a escolha do sucessor, que se dará no pleito seguinte, independente de a eleição ser municipal ou geral.

Já o senador Pedro Taques (PDT-MT) defendeu a extinção da figura do suplente, por entender que ele não tem legitimidade popular. Nos casos de substituição ou sucessão, o candidato imediatamente classificado atrás do titular assumiria a sua vaga. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) perfilou-se ao lado da proposta que conquistou a maioria dos votos na comissão. Ele destacou a necessidade de as medidas não entrarem em vigor imediatamente para evitar a quebra de algum direito adquirido.

Mesmo apoiando a proposta que, ao final da reunião, foi aprovada, o senador Itamar Franco (PPS-MG) fez uma ressalva. Em vez de aguardar a realização de um próximo pleito municipal ou geral para a escolha do substituto do senador ele preferia a convocação de uma nova eleição em 60 ou 90 dias. Já a proposta do senador Wellington Dias (PT-PI) foi no sentido de que o suplente passasse a ser eleito também, junto com o titular.

Porta-voz da posição do PMDB, o senador Vital do Rêgo Filho (PB) defendeu que o suplente apenas substitua, mas não suceda, o senador titular do cargo, corroborando os termos aprovados pela Comissão. Por sua vez, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) apoiou e sugeriu um aperfeiçoamento da sugestão de Wellington Dias: cada partido teria dois candidatos a senador por vaga. O somatório dos votos apontaria o partido vitorioso. O candidato mais votado pelo partido ou coligação seria o eleito, o segundo colocado, o suplente. A senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) aprovou a proposta defendida pela maioria por entender que "ela é a mais razoável entre todas as apresentadas".

O senador Vicentinho Alves (PR-TO) informou que o seu partido definiu uma posição a respeito da questão: manter a regra atual da escolha dos suplentes, mas vedando a "prática do nepotismo". O senador Jorge Viana (PT - AC) apoiou a proposta majoritária, mas expressou seu desejo de o número de suplentes continuar sendo dois. O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) lembrou que votou a favor do substitutivo na CCJ e disse que continuará apoiando a proposta.

Defensor da manutenção de dois suplentes, o senador Humberto Costa (PT-PE) propôs a criação de um mecanismo que restrinja a possibilidade de o senador ser eleito e, logo em seguida, nomeado para algum cargo, como o de secretário de governo estadual. Em muitos casos o suplente cumpre quase todo o seu mandato. O líder do PT sugeriu que o senador somente possa ser liberado para assumir o cargo de ministro de Estado. Outra ideia seria limitar o tempo do afastamento. O presidente Francisco Dornelles (PP-RJ) prometeu colocar o tema em votação nas futuras reuniões da Comissão da Reforma Política.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) argumentou que o ideal seria o senador ser eleito sem suplente. No caso de sucessão, o suplente seria indicado pelo partido. Por entender que sua proposta não seria aprovada, o senador Requião contrapropôs: um suplente apenas, que apenas substitua, mas nunca suceda. Ele defendeu a realização de eleição quando o titular precisar se afastar por um período maior. O parlamentar paranaense discordou da imposição da cláusula do nepotismo por entender que "na mesma medida em que parentesco não é título, ele também não é cláusula infamante".

Roberto Homem / Agência Senado
 

Notícias

Justiça nega herança por falta de prova de paternidade afetiva

11/05/2026 17:26 Justiça nega herança por falta de prova de paternidade afetiva O Tribunal de Justiça de Rondônia negou o pedido de uma mulher que buscava ser aceita como filha de um homem que morreu. Com isso, ela teve negado o direito à herança. A decisão foi da 2ª Câmara Cível do TJRO. O...

Inventário. União estável. Direito sucessório – cláusula contratual – exclusão – companheiro sobrevivente. Herança – renúncia antecipada. Nulidade

Inventário. União estável. Direito sucessório – cláusula contratual – exclusão – companheiro sobrevivente. Herança – renúncia antecipada. Nulidade TJMS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. INVENTÁRIO. UNIÃO ESTÁVEL. CLÁUSULA CONTRATUAL QUE EXCLUI...

STJ: Inadimplente não pode reter imóvel por benfeitorias úteis

Direito de retenção STJ: Inadimplente não pode reter imóvel por benfeitorias úteis Para ministros da 3ª turma, quem está em débito não pode impedir retomada do imóvel até receber eventual indenização por melhorias. Da Redação terça-feira, 12 de maio de 2026 Atualizado às 19:31 Ocupante inadimplente...

Registro no CAR não basta para impor recuperação de área desmatada

Sem vínculo Registro no CAR não basta para impor recuperação de área desmatada Karla Gamba 10 de maio de 2026, 14h20 O caso envolve uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Pará, na qual se atribuiu ao agravante e a outro réu a responsabilidade pela destruição de mais de 482...